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A verdadeira natureza da mente - parte 3 por Lama Tsering Everest
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Mas o oceano não morre, o oceano não se move. Você precisa conhecer a natureza da sua mente porque todo o resto morre. Nós temos tanto medo e é natural que nossos instintos nos preservem. Mas isso não funciona.
Então, quando você se aproxima de um caminho espiritual é um pouco contra-intuitivo, é uma pegadinha a auto-preservação, porque podemos procurar pelo oceano e não vai funcionar. “Eu acho que é uma boa idéia ser um Buda, eu acho que é um ótimo plano, vamos fazer isso”, e eles pensam: “Eu vou ser um adorável Buda azul, não um Buda vermelho, eu vou ser masculino, feminino, eu, eu, eu, eu vou ser ótimo como um ser iluminado”. Mas é mais “eu” e seu intelecto se tornando algo.
É assim que você consegue conhecer esse “eu” com o qual está lidando, porque é sempre se tornando algo. Mas o que é natural é, não está se tornando. É muito importante para nós termos um mentor, um professor, alguém que possa apontar isso para nós e nos ajudar a entender como melhorar com o “eu”, mas principalmente como abandonar o “eu”.
Não é fácil deixar o “eu” ir, o único modo que realmente podemos fazer isso é através do amor. Nós fazemos isso com nossos filhos, talvez nem tanto em dias ruins, mas em dias bons nós realmente nos preocupamos mais a respeito deles do que quanto a nós mesmos. É um pouco delicado com crianças porque fazemos algo tipo “Austin Powers”, o Mini-me. Alguém de vocês viu esse filme bobo? Mini-me? Bem, nós fazemos isso com os nossos filhos, meu Mini-me, e isso não necessariamente funciona nessa abordagem. Mas você realmente entende que você preferiria estar doente do que ver o seu filho doente, e não é um martírio, não é grande coisa, é completamente natural, de tanto amor e compaixão.
Na tradição budista, o que o Senhor Buda sugeriu foi que, em vez de fazermos o movimento do ponto de vista do padrão problemático do “eu” e da auto-importância e da subjetividade da nossa mente e suas limitações e incapacidade, é perceber que você não é o único. É isso que está acontecendo com todos os seres não-iluminados. A natureza deles é Buda, eles são o oceano, mas o hábito deles, a identificação deles é com algo impermanente. E isso é trágico, é uma tremenda crise no mar: ganho e perda, esperança e medo, um ambiente de tragédia baseado nos próprios venenos da mente.
O que Buda sugeriu é que, como você não é o único, você entende o que está acontecendo com eles e isso é a base para a compaixão – sabendo que existe uma tragédia terrível não sabendo a natureza absoluta da mente. Compaixão em uma perspectiva budista não tem nada a ver com simpatia, apesar de, é claro, alguém poder lamentar pelo sofrimento dos outros. Realmente, compaixão é um entendimento muito claro do problema que não precisa acontecer, mas está acontecendo.
Pessoas não precisam ganhar compaixão. Não existe nenhum ser iluminado que não mereça compaixão. Todos são Budas que não sabem sua natureza, eles estão fazendo a história deles pior e pior, atacando, tentando preencher a si mesmos, magoando e ferindo os outros. Nós não temos que levar isso para o pessoal quanto eles tentam nos atacar, não é com a gente, é realmente com eles próprios.
Requer coragem para entender que você vem errando sobre o “eu”. Requer coragem entender que você é incapaz em relação a isso. Requer mais coragem ainda entender que você não é o único com esse problema e que pelo menos você tem um pouco de noção a respeito do problema. Outros não tem essa percepção do problema. E o que isso significa é que, com coragem, você pode relaxar sua auto-imporatância e em vez disso se preocupar com o bem estar dos outros, servir o Buda, o Buda como a sua sogra, o Buda como o seu inimigo, o Buda como o motorista que não tem consideração, o Buda que é o seu filho, o Buda que é a sua mãe. Todas essas pessoas só querem ser felizes e não sabem como, eles não querem ser infelizes e ficam perpetuando as causas para a sua própria miséria.
A coragem de cultivar um coração puro e corajoso é perceber que você tem que ter coragem para fazer o seu trabalho, perceber a natureza da sua mente, mas não por você mesmo, pelos outros. Perceber a natureza da sua mente, que você pode incessantemente, infindávelmente, não importa quão má a história vá, que você possa nunca deixar de cuidar dos outros, que não importa quem seja, onde esteja, que o seu amor e a compaixão possam eliminar a confusão que perpetua a experiência de miséria. E o único modo que você pode fazer isso autenticamente é percebendo a natureza da sua própria mente e daí você pode servi-los, daí você pode ajuda-los. Não se trata da sua paz, não se trata da sua saúde ou sua cura, isso é o ego dominando. Claro que ele quer paz, claro que quer saúde, claro que quer bem estar, ele quer ser feliz, mas não consegue produzir usando o ego. Isso é o que Buda nos apresentou – e é realmente magnífico.
E a razão pela qual eu comecei com a oração é para lembrar da bondade que eu recebi, bondade de me dar compreensão do modo que a minha mente funciona, mas também da imensurável generosidade da presença, da bondade que é presente. Um dos nomes de Buda é “O Todo Bondoso” – ele não pode ser ausente e está na energia de cada momento, não é algo além, Buda além do arco-íris ou Buda no fim de um longo percurso de dificuldades, é Buda que está presente, estado desperto presente. Nós chamamos de refúgio – esse é o oceano.
Então surge a aspiração de que todos os seres possam obter a realização da sua natureza búdica, que eles possam ser livres e completos, livre do sofrimento e completos de sua totalidade, que as condições do nascimento, doença, velhice e morte, não ser capaz de conseguir o que se quer, não ser capaz de se prevenir do que não se quer, possam finalmente cessar, que os serem possam ser realmente livres. Mas nós temos a nossa história, nós estamos na experiência da nossa mente, então não será fácil. Eu acredito em termos coragem, realmente você precisa entender que é difícil o modo como vemos as coisas, não que a dificuldade seja uma verdade. E o mesmo para os outros, tão difícil para eles.
Você precisa ser paciente com suas dificuldades - e na maior parte do tempo não somos. Nós realmente rejeitamos as dificuldades. “Não, não, não! Isso não, e tentamos, fazemos de tudo. Mas na verdade existe algo poderoso se você consegue estar apenas completamente presente, mesmo numa situação ruim, perfeição é inerente ao momento. Mas nossa idéia daquele momento, nossa aceitação e rejeição do momento, nossas esperanças e nossos medos do momento, nós apenas precisamos sair dessa. E Buda disse: Não, você não pode sair dessa assim. Você precisa permitir e reconhecer a presença nisso. Isso é chamado aceitação e requer paciência e também produz tremenda alegria, agora mesmo, perfeita neste momento.
Parte 1 - Parte 2
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