Espaço Sagrado: Parte 3
(Extraído de um podcast de Lama Tsering Everest)

Trabalho como caminho para a realização
A equipe de trabalhadores é maravilhosa. Lama Norbu tem me falado de um trabalhador em especial, chamado Mineiro (já que ele é de Minas). Ele adora trabalhar e canta o tempo todo. Ele me faz lembrar um cara da sanga, que fica feliz com seu trabalho – ele se regozija ao fazer seu trabalho. Nem sempre nos sentimos assim em relação ao trabalho, mas isso é uma das coisas sobre construir um templo ou fazer um projeto como esses: há regozijo em fazer o trabalho, há prazer em fazer aquela oferenda.

Você está trabalhando, você está suando, seus músculos estão indo um pouco além dos limites, mas há algo prazeroso no fato de que você está fazendo aquela oferenda, e está construindo esta grande mandala, que vai viver muito além de você – e que vai durar o tempo necessário para que quem quer que tenha conexão com o darma a veja, venha e ouça o gyaling, ouça o darma ali. Até mesmo para que faça apenas uma prostração: que maravilha alguém no futuro entrando nesta sala de meditação e fazendo uma prostração! Pense no carma que ela vai purificar, no mérito que vai acumular, pense na conexão com a iluminação.

E nisso existe regozijo, um deleite, uma completude com esta oferenda – e fico tocada pela sanga e por este cara chamado Mineiro. Ele nem mesmo é uma pessoa do darma, mas seu trabalho tem a energia do darma. Ele está ali apenas como um trabalhador comum. Até mesmo quando não tem um trabalho evidente para ser feito, ele arruma o que fazer: ele varre, limpa alguma coisa, melhora algum detalhe, e fico emocionada com isso –como Rinpoche gostaria disso! Uma coisa que aborrecia bastante o Rinpoche eram aquelas pessoas que iam trabalhar e só o que faziam era ficar por ali, segurando a pá nas mãos, sem fazer nada, conversando. Eles não só não trabalhavam, como atrapalhavam o trabalho dos outros. Rinpoche ficava perturbado com isso, já que essa pessoa não estava fazendo uma oferenda de verdade.

É fácil se perder nos elementos comuns do trabalho a ser feito e do tempo gasto para se fazer as coisas. Mas se você usar o caminho do trabalho como mérito inseparável da sabedoria – uau – este é um caminho que produz realização. Isto é o que Rinpoche nos ensinou – nós sempre trabalhamos, sempre fizemos projetos. E, você sabe, se você não estivesse fazendo este templo, você estaria fazendo alguma outra coisa, porque nós todos trabalhamos, todos nós precisamos trabalhar em algo. Então, por que não trabalhar em algo que cria essa interdependência positiva para os outros? Não quer dizer que você não precise trabalhar para sua família ou que não precise trabalhar para seu próprio sustento, mas por que não trabalhar em algo que faz sentido?


 

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